Deus Foi Almoçar, fragmentos de um homem vazio

O livro dessa semana é uma pérola da literatura brasileira. Comprei o livro em uma de minhas andanças pelo centro de São Paulo e posso garantir que foi uma excelente compra.

Ferréz

O autor, Ferréz, morador de Capão Redondo, São Paulo, narra a trajetória de Calixto, um sujeito comum e que segue vivendo cada dia de sua rotina enfadonha como se não pudesse fugir do caos que o cerca. De certa forma não pode mesmo.

Calixto tem cerca de 50 anos, arquivista em uma empresa, e após um relacionamento conturbado, sua visão para o mundo parece se abrir. O livro todo é um emaranhado de fragmentos de sua vida e outros seres que povoam os grandes centros urbanos.

Nesses fragmentos, temos a sensação de que ninguém, vivendo como nós vivemos, saindo para trabalhar de manhã, dando conta dos filhos, dos relacionamentos, ninguém parece ser feliz. Triste, porém verdade. No fundo, sentimos um completo vazio.

Como na capa do livro, uma TV fora de sintonia e da tomada, tudo o que enxergamos da vida é uma série de borrões disformes, problemas que a vida joga sobre nossos ombros e achamos que estamos carregando. Tentamos mudar o canal de nossas vidas, mas em vão… Pois não temos controle de nada.

A linguagem de Ferréz é surpreendente. Direta, floreios filosóficos sobre a existência e palavrões quando necessário. O livro é uma verdadeira aula de construção narrativa não linear. Difícil não se perder e não se encontrar na leitura desse livro.

 

 

Bodão Hübner – Poeira Cósmica, disco para todos os gostos

Depois de centenas de anos, o maior dinossauro perdoense mostra os dentes com este discaço, total anos 90, prato cheio para quem gosta de grunge e rock alternativo. Flávio Hübner (aka Bodão Hübner) é multi-instrumentista, tocou em bandas do começo dos anos 2000, tais como Sei lá, Sujeira Orgânica e Falha Humana. O disco conta com Participações especiais de:

Leonardo Miranda: Vocais em Poeira Cósmica
Lelo Craveiro: Guitarra Solo em Fantasmas, Poeira Cósmica e Unicórnios
Gravado no Estúdio a Toca do Bode

Bodão Hübner

Dissecando as faixas:

Fantasmas é uma faixa com um riff meio psycho, um tremolo bonito e letra doideira falando de fantasmas, o solo é mágico.

Poeira Cósmica é a faixa título do disco, tem uma veia psicodélica, meio space rock, flanger adorável, hit do disco.

As flores não nascem aqui, abertura bonita para caramba, um lance Pixies, Flávio Francis.

Coisas estranhas, Anos 90, smells like a Proco Rat.

Dentro do coração, não existe amor dentro do coração, lindo este verso.

Nonsense, linha de baixo monstro, com versos inspiradores, “tempestade elétrica, jornal nacional, políticos honestos”.

Unicórnios, letra massa “não existem unicórnios, não existem e posso provar” e pianos stoner, creme do milho.

Procurando uma saída, torta.

Respeito, letra ácida, no bom e velho esquema de riff lento/pesadão.

Vamos a festa, música de quermesse e festa junina numa versão pesada.

Debaixo do céu, Synth e fuzz oitavando a doideira toda, som bonito.

Não venha, Flávio Francis, balada bonita, com direito a violoncelo e piano fino.

Bodão Hübner

 

Sonhar não paga pedágio

O calor infernal consegue derreter aos poucos os miolos que me restam e pra refrescar ao invés de água porque não algo mais saboroso e calórico para satisfazer meu cérebro?

Sentada na rodoviária (minha segunda casa nos últimos meses) pensando na vida, lá estava eu, olhando a “banda passar” (espero que entenda a referência), ao que meus olhos passaram por uma mulher pedindo dinheiro. Em poucos minutos ela estava parada na minha frente pronta para iniciar o discurso automático, educadamente me pediu atenção, claro, sem saber se realmente eu desejava fazê-lo.

No mesmo instante o celular toca e foi neste instante que me perdi entre ouvir a reprodução verborrágica e polidamente ensaiada ou atender a ligação. Pedi licença e fui tateando o celular na bolsa, a mulher esperou que o fizesse.

Enquanto falava ao telefone peguei a carteira e retirei R$ 0,25, uma moeda dourada brilhante, parecia aqueles chocolates que a gente come quando é pequeno. Desliguei o telefone e antes que ela começasse a falácia eu entreguei a moeda a ela. Ela fechou a boca e suspirou.

– Você pode me dar um pouco? Só um golinho. Disse a mulher.

Sem pensar muito estiquei o braço e entreguei o copo. Uma velha cética me olhava. Finalmente com a boca melada a mulher me entregou o copo.

Olhei para o canudo e fiquei na dúvida de compartilhar da saliva, eu não quis dar asas a imaginação e fui ávida e suguei o sagrado milkshake.

Não me lembro dela ter agradecido, mas quando levantei os olhos para o horizonte lá estava ela, pedindo dinheiro a outra pessoa.

A senhora do meu lado comentou:

– Que ousada não!?

Retruquei:

– As pessoas são assim quando tudo lhe é negado, resta apenas a chance de pedir. Sonhos são grátis.

A senhora deu de ombros e foi para a fila. A longa fila não foi problema para ela que ficou logo no início sem sequer pedir licença. Sim, era um direito dela, contudo não pude deixar de pensar:

– Que ousada não!

A ótica sempre se distorce conforme nossos desejos e necessidades. Meu corpo estava satisfeito e meu paladar agradecido, mas minha mente fervilhava de ideias, levantei e joguei o copo no lixo.

1010 – Artista gráfico alemão que espalha murais 3D pelas ruas

Nascido na Alemanha em 1979. Começou a fazer graffiti em 1994, morando e trabalhando em Hamburgo. 1010 (pronúncia é tenten ) com suas obras de arte, convida o espectador a entrar num mundo de ilusões gráficas e cores atraentes. Sua série ‘Abyss ‘ não se trata apenas de ver a planície, mas de perder-se em um labirinto gráfico. E nesta categoria de grafitti, ele prova ser um dos mais renomados artistas urbanos na Alemanha.

É um abismo sem fim que aparece na frente dos pedestres que possuem a oportunidade de encontrar alguma de suas obras pelas ruas. Ele realmente consegue aplicar um efeito de profundidade em seus murais para uma renderização muito estranha e impressionante: uma mistura de cores semelhante a camadas de papel. Sua arte logo remete ao tactile design, Onde as técnicas empregadas geralmente são colagens, recortes, costuras, dobraduras e até bordados para criarem a sensação de 3D.

Sua arte é definitivamente influenciada por games do antigo computador Amiga 500, quadrinhos e desenhos animados. Confiram os trabalhos do 1010!

1010

1010 mural

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O Presente, um thriller de mistério que vale a pena

Se você é daqueles que troca uma boa noitada em bares, festas e reuniões com amigos por um bom filme, O Presente é uma ótima pedida. Não pesquisei em canais por assinatura nem em locadoras (alguém ainda frequenta locadoras?) enfim, mas fuçando algo no Netflix para ver num sábado entediante, encontrei o Presente, um thriller/drama/mistério que vale a pena cada minuto.

O filme conta a história do casal Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) que se casaram há pouco tempo e que estão muito felizes com sua nova casa nos arredores de Los Angeles, e também com a perspectiva de terem um filho. Esse início pode parecer o mais clichê do mundo, mas as coisas mudam quando num dia de compras, Simon reencontra por acaso um velho amigo dos tempos de escola, Gordo (Joel Edgerton), e “retomam” a antiga amizade.

O presente - Jason Bateman

O que é mais estranho é o modo como Gordo parece nutrir certa obsessão pelo antigo colega de escola e sua esposa. Os dias correm sem muitas novidades, entretanto, quando o casal começa a receber presentes deixados na porta ou bilhetes de boas vindas um tanto generosos demais, por parte de Gordo, as coisas começam a realmente ficar complicadas.

O filme desperta o interesse de quem assiste, pois combina drama e suspense na medida certa. Sustos inesperados acontecem, mas o maior suspense é em não saber realmente as intenções de nenhum dos personagens. Em O Presente, todos parecem esconder segredos, e muitas vezes, escondem um passado que deveria ter sido enterrado.

Acompanhe a avaliação que o Duofox preparou para você e bom filme.

Pontos positivos do filme

  • Áudio. Inglês, espanhol e português com legendas em espanhol e português.
  • 9,5 na escala de 0 a 10.
  • Excelente, fotografia e cenário que não deixam a desejar em nenhum minuto.
  • Atuações. Ótimas. Assista e veja o que um cachorro na trama pode fazer com você.
  • Duração. 1h 47 minutos.
  • Classificação. Indicado para maiores de 16 anos, porém não há cenas tão violentas.
  • Direção e Roteiro. Joel Edgerton. Direção e atuação, sem comentários. Excelentes.
  • Joel Edgerton , Jason Bateman , Rebecca Hall
  • Produção. Título Original. 2015, EUA, The Gift

A Humilhação de Philip Roth , um romance perturbador

Philip Roth, ganhador do Pulitzer com o romance Pastoral Americana, surpreende mais uma vez com perturbador romance, A Humilhação.

Após anos de dedicação e amor ao teatro, Simon Axler, um senhor na casa dos sessenta anos se vê acabado, humilhado e a beira do suicídio. O motivo? Não consegue mais representar. Simon não consegue ser outra pessoa no palco. Nem mesmo ele se reconhece como um homem. De uma hora para outra seu talento para entrar em cena parece ter evaporado.

Em meio a um turbilhão de conflitos, Roth escancara a alma de um idoso que, ao mesmo tempo em que envelhece, quer desfrutar seus últimos anos de vida de maneira intensa. Muitos a sua volta querem ajudá-lo a retornar aos palcos, mas sua auto-estima fugiu para tão longe que tudo é realmente impossível, ou ao menos parece.

A Humilhação de Philip Roth, é um daqueles livros que podemos ler num estalo. Mas não se engane. Apesar de ser um livro curto, 100 páginas, Roth contrasta e aborda temas como a juventude e envelhecimento, sexo e perversão, sexualidade e crises de identidade sexual, e o principal, o interesse do ser humano pelo suicídio.

Ao terminar a leitura, nos perguntamos até que ponto o homem é capaz de ir para de fato se encontrar. No caso de Simon Axler, protagonista do livro, a única forma de se encontrar é voltando para os palcos e amando. Mas o amor não parece estar muito ao alcance de suas mãos calejadas, e o palco, não passa de um cemitério onde ele jaz inerte, invisível.

A Humilhação de Philip Roth é um livro brilhante e triste. Cada página parece um pedaço de um purgatório. Esbarramos em fantasmas e demônios. Muitas vezes, nossos próprios demônios.

Biancos Festival – Piracaia é Rock and roll

Biancos Festival foi lindo, que mágico podermos participar de mais um evento em Piracaia. Onde a recepção é ótima, o festival sempre muito bom e com um público caloroso. Neste último sábado 17/12, a história foi bonita, com ótimas bandas e descrições insólitas:

●PUBLIC DEATH – Axé Progressivo- Piracaia/SP 
●RABISCO DE EXPRESSÃO – Forró Alternativo – Piracaia/SP 
●SORRY FOR ALL – Alucinações causadas por tubão – Socorro/SP
●HOMEM PALITO – Música pra limpar a casa em sábado de manhã – Águas de Lindoia/SP
●DESKRAUS – Classic Pagod – Bragança Paulista/SP
●CHURUMI – TangoCore – Bom Jesus dos Perdões/SP
●CRASSO SINESTÉSICO – É pique latino – Bom Jesus dos Perdões/SP
●ALL FIGHT FOR ALL – Não é o Sorry For All – Bragança Paulista/SP
●PISS OFF

Realizado em uma chácara muito bonita, o Biancos Festival, só poderia fechar com chave do ouro o ano.Lembrando que foi Lançamento do CD dos Peixes Fritos, se vocês ainda não adquiriram, entrem em contato com os caras, o trabalho está bonito e contou com a produção do Flávio Hübner.Aguardamos ansiosamente as outras edições, até breve!!!

Arte Urbana em Atibaia

Sangue novo nos rolês, conferimos quem faz acontecer nas artes urbanas na cidade de Atibaia, Rodolfo Ladini e Mayra Vasconcellos, não deixaram a peteca cair, mesmo depois de tantos artistas caminharem por este mundo, estes 2 produzem de forma extremamente artesanal.A arte de ambos tem ligação direta com DIY e o movimento Punk.

Atibaia é conhecida pelo cenário prolífico, graças a contribuição artística e o legado, que Matias Pícon deixou na cidade.Muitos aprenderam o ofício, do Silk-Screen ao Stencil, Stickers e Lambe-lambes espalhados, colorindo e caracterizando a paisagem urbana.Confiram a entrevista com a nova geração de artistas das ruas.

Links:
Mayra Vasconcellos
Rodolfo Ladini