Design x Publicidade. Todos ganham?

por Diego Fernandes de Oliveira

E começa o primeiro assalto, o juiz prepara os lutadores, pede para que estes sigam as regras, então inicia-se o combate.

Brincadeiras à parte, a luta entre design e publicidade é uma questão que nos inquieta, por não sabermos o motivo da existência simultânea de estúdios de design e agências de publicidade. Qual é a diferença entre ambos?

Digamos, a grosso modo que design faz o trabalho que informa e agências de publicidade fazem o trabalho que convence. Para definir esta diferença entre os dois tipos de empresas chegamos à conclusão, que os designers criam valor, enquanto as agências de publicidade vendem esse valor.

Como diria Alexandre Wollner, “o trabalho dos publicitários tem alto impacto e vida curta, enquanto o do designer tem baixo impacto e vida longa”.

E quem dá as cartas na criação de uma marca? Em alguns casos o designer, em outros  o publicitário e muitas vezes o próprio cliente.

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Todos ganham em um ringue de mascarados. Fonte: Wikipedia

Porém muitos ainda enxergam o “design” como uma espécie de arte decorativa (artesanato), por isso deixam de investir na “decoração de sua casa (produto)”.

Considerando que a publicidade é um “grande negócio” que não se preocupará muito com a “tipografia ou a sutileza da forma ou linha do produto” e o venderá de qualquer forma seja com embalagem feia ou logo mal feito. O que importa é a forma de se vender. Porque hoje todo mundo pode vender qualquer coisa – e isso certamente não é exagero.

Design e publicidade, portanto, caminham de mão dadas (na maioria das vezes) na construção das marcas. Há quem diga que um possui mais importância que o outro, porém não dá para se apoiar muito nesta afirmação, assim como o pedreiro não é mais importante que o eletricista ou o dentista mais que o ortopedista. Cabe ao cliente saber exatamente o papel de cada um e equilibrar estas 2 vias em prol do seu negócio.

E você? O que acha?

O futuro da escrita manual pode estar nas mãos de apps para o iPad!

por Diego Fernandes de Oliveira

Desde o início da escrita, há 3.000 anos A.C (com os antigos Sumérios), a escrita vem evoluindo através dos tempos, exercendo papel exponencialmente essencial em nossas vidas.

Mesmo antes de Gutemberg, as pessoas escreviam aforismos, lembranças, poemas e orações. Para se escrever, já foi utilizado todo tipo de material e ferramenta, pedra, barro, papiro, lápis, nanquim, caneta, máquina de escrever, computadores, smartphones, tablets etc. Hoje utilizamos apps para escrever no iPad.

Quando foi a última vez que você pegou uma caneta para escrever? Muitos conseguem contar nos dedos, quantas vezes utiliza uma caneta ou lápis por mês.

Apenas para assinar um documento, para fazer anotações (aquelas fixadas por imãs na geladeira) ou riscar o calendário (pagamentos de contas de luz, gás, telelefone etc.). O resto do tempo é teclado ou direto no touchscreen. Será que a escrita está com os dias contados?

Mesmo acreditando que a caneta é muito mais rápida que o teclado, escrita corre o risco de tornar- se obsoleta.

Entretanto, enquanto houver mais e mais escolas abraçando a tecnologia, o ensino tradicional caligrafia está voltando. A cada dia somos surpreendidos ao ver escrita, recebendo atenção renovada entre os pesquisadores e técnicas de Lettering sendo ensinadas e divulgadas por todo Brasil, através de profissionais consagradas como Marina Chaccur e Andréa Branco.

Fonte:Caligrafia para artigo da revista Aventuras na Historia, editora Abril (Jul.10) Marina Chaccur

Fonte: Caligrafia para artigo da revista Aventuras na Historia, editora Abril (Jul.10) Marina Chaccur

Quando você reflete sobre o passado, onde tudo era escrito através do lápis ou caneta no papel, parece até um mundo utópico. Entretanto vivemos em um momento híbrido, na verdade.

Vemos muitos vestígios do velho mundo analógico sendo mantidos vivos em várias formas digitais, a partir de apps, onde analógico e tecnológico, cruzam-se tornando experiência de usuários de tablets e smartphones tão agradáveis, quanto a velha e insubstituível escrita. Seguem alguns serviços e aplicativos interessantes:

Inkly

O aplicativo Inkly permite que o iPhone, tire uma fotografia de seus rabiscos de uma folha de papel em branco e transpondo-o para o cartão.

Inkly Cards

Lettrs

Transforma o seu PC e iPhone em uma máquina de escrever ou papel de carta.

lettrs.com

Evernote Smart Notebook

Destina-se à criação de ideias e esboços em papel e, em seguida, captura, organização e aprimoramento digitais com o Evernote.

Com a proliferação de smartphones, PCs e tablets na sociedade, não há dúvida de que a escrita manuscrita vai se tornar cada vez menos “essencial” na vida cotidiana, em contrapartida torna-se essencial na evolução humana e na falta de energia elétrica, não acham?

Stefan Sagmeister e sua influência no design

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Stefan Sagmeister by Andreas Lazlo Konrad

Quando se trata de Stefan Sagmeister logo pensamos em felicidade e prazer, pois é esta a receita para que seu trabalho seja bom, com uma linguagem humana, descontraída e inteligente, combina artes plásticas, com várias vertentes do design e elementos orgânicos que fazem de seu trabalho, algo muito singular e carismático

Stefan Sagmeister (nascido em 1962 Bregenz, Áustria; vive New York) é um designer que combina tipografia e imagens de forma peculiar, dando vida a composições ambiciosas e inquietantes.

Influenciou a cultura do design ao longo da última década, é conhecido por seus trabalhos para o Talking Heads, Lou Reed, OK Go e The Rolling Stones, para citar apenas alguns, bem como campanhas inovadoras, para empresas como a Levis, que teve uma ótima aceitação pelo público. Stefan Sagmeister é um colaborador artístico de longa data com os músicos David Byrne e Lou Reed. Ele é o autor da monografia projeto “Made You Look”, que foi publicado pela edições Booth-Clibborn.

Conheça alguns de seus trabalhos incríveis:
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Sagmeister

 

Dez princípios do bom design segundo Dieter Rams

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  • Bom design é inovador – As possibilidades de evolução não estão, de forma alguma, esgotadas. O desenvolvimento tecnológico sempre oferece novas oportunidades de designs originais. Mas o design imaginativo sempre se desenvolve em paralelo com a avanços tecnológicos, nunca pode ser um fim por sim próprio.
  • Bom design faz um produto ser útil – Um produto é comprado para ser usado. Ele tem que satisfazer não apenas o critério funcional, mas também o psicológico e estético. Um bom design enfatiza a utilidade de um produto enquanto exclui qualquer coisa que poderia prejudicá-la.
  • Bom design é estético – A qualidade estética de um produto integra a sua utilidade porque produtos são usados todos os dias e têm um efeito nas pessoas e seu bem estar. Apenas objetos bem executados podem ser bonitos.
  • Bom design nos ajuda a entender um produto – Ele esclarece a estrutura do produto. Melhor que isso, ele pode fazer com que o produto expresse claramente sua função fazendo uso da intuição do usuário. No melhor dos casos, ele é auto-explicativo.
  • Bom design é discreto – Produtos que atendem a um propósito são como ferramentas. Eles não são objetos decorativos nem obras de arte. Seu design deve, desta forma, ser neutro e contido, deixando espaço para a expressão do usuário.
  • Bom design é honesto – Ele não faz um produto parecer mais inovador, poderoso ou valioso do que ele realmente é. Ele não tenta manipular o consumidor com promessas que não serão cumpridas.
  • Bom design é durável – Ele evita estar na moda e assim nunca parece antiquado. Diferente de um design da moda, ele dura muitos anos – mesmo na sociedade descartável atual.
  • Bom design preocupa-se com os mínimos detalhes – Nada deve ser arbitrário ou ao acaso. Cuidado e precisão no processo de design demonstram respeito com o consumidor.
  • Bom design preocupa-se com o meio ambiente – O design tem uma importante contribuição com a preservação do meio ambiente. Ele economiza recursos e minimiza a poluição física e visual ao longo do ciclo de vida do produto.
  • Bom design é o menos design possível – Menos, porém melhor – porque ele se concentra nos aspectos essenciais, e os produtos não são carregados com detalhes não essenciais. Retorno à pureza, retorno à simplicidade.

Dieter Rams (20 de Maio de 1932, Wiesbaden) é um designer industrial alemão intimamente ligado à empresa Braun. É um dos mais influentes designers do século XX.Jonathan Ive, responsável pelo design da Apple,  admiti sem cerimônias a influência de Rams em seu trabalho. Ive descreve o trabalho de Rams da seguinte forma: “nenhuma parte parece ser escondida ou celebrada, apenas considerada perfeitamente e completamente apropriada na hierarquia dos detalhes e características  do produto. Sabemos exatamente o que é e exatamente como usá-lo.”. Por seu lado, Rams considera a Apple uma das poucas empresas atuais que continua a tentar elevar o estatuto do design e do designer e que compreende verdadeiramente a plenitude das suas funções e responsabilidades.